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Wednesday, April 22, 2015

Um palco para 30 emoções

O espetáculo que o público teve oportunidade de assistir no passado dia 18 no Teatro Lethes nasceu de um convite que a APPC fez diretamente ao Clube de Teatro Tapete Mágico, de Faro. Sendo o Clube de Teatro mais antigo a funcionar ininterruptamente na região, completando 20 anos em Setembro, esta estrutura resolveu abraçar mais um desafio: trabalhar em prol da inclusão através de um processo de construção de um espetáculo de teatro. Esse processo teve início no passado mês de novembro com um pedido por parte dos utentes da APPC: não queremos fazer um espetáculo para crianças. Imediatamente foi sugerido o tema do conto de Hans Christien Anderson O Soldadinho de Chumbo. O guião foi construído cena a cena pelos alunos do grupo Tapete Mágico. O soldadinho de chumbo passou a ser um jovem convocado para a guerra do ultramar na época imediatamente anterior ao 25 de Abril.
Tanto os utentes da APPC como os estagiários de Interpretação do 1º ano da Escola Tomás Cabreira receberam com entusiasmo as linhas mestras do texto coletivo que iríamos passar a construir em cada ensaio. E cada sessão de trabalho foi uma descoberta, um passo na construção de um objeto artístico que ansiava por ser apresentado. Como disseram os utentes da APPC, “quando iniciaram os ensaios tudo parecia assustador e o produto final afigurava-se longe de acontecer. No entanto, ao longo destes meses, a aproximação entre todos foi conseguida e o que apresentamos é o resultado de muitas dúvidas, hesitações, lágrimas e muitos sorrisos.”

Este trabalho descreve uma história de amor e sacrifício. Uma história onde o preconceito espreita a cada momento mas acaba por sucumbir à nobreza de valores. Um jovem casal apaixona-se por entre a agitação da cidade. Ela move-se em cadeira de rodas e por isso é apontada quando assume a relação com um jovem atraente. O idílio termina quando ele, juntamente com os jovens da sua idade, são chamados para a guerra. Casa-se apressadamente com a sua rapariga e embarca, deixando uma maré de lenços agitados no Cais de Alcântara. As raparigas escrevem cartas, os rapazes recebem-nas no cenário de guerra, deixando-as ser a fonte da sua coragem. O rapaz recebe um tiro que o deixa imobilizado da cintura para baixo. A rapariga, à custa de muito esforço recupera o andar. O regresso do herói dá-se na altura do 25 de Abril: há cravos vermelhos para o receber e uma atmosfera de esperança. A vida vai mudar e o casal retoma a vida que a guerra interrompeu. 


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